domingo, 31 de maio de 2026

Desenvolvimento e Sustentabilidade

Acompanhamos diariamente pelos noticiários da televisão, dos jornais e revistas especializadas a crise política, econômica e de sobrevivência da própria humanidade.

No Egito, as massas voltam à Praça Tahrir, no centro do Cairo, para protestar contra o resultado das eleições, cuja apuração ainda não foi oficialmente divulgada, e a situação (Junta Militar) e a oposição (Irmandade Muçulmana) auto-proclamam-se vencedores.

O povo novamente movimenta-se para se opor às intervenções da Junta Militar, cerceando poderes legislativos.

A Síria vive uma guerra civil em que dirigentes governamentais e opositores banham com sangue de mulheres e crianças inocentes o solo pátrio

Monstruosidades que não se imaginava que pudessem voltar a acontecer após o terror da segunda guerra mundial.

A sociedade afegã continua envolta por ataques mortíferos, homens-mulheres bombas num interminável morticínio delimitado pelo fanatismo religiosos e interesses econômicos (petrolíferos) das grandes potências.

Em todos esses embates as chamadas nações desenvolvidas municiam  os que se digladiam vendendo as armas de conformidade com seus interesses econômicos, políticos e estratégicos.

No Brasil, a maravilhosa paisagem do Rio de Janeiro é a moldura para a Conferência Mundial Rio 20 onde os técnicos, os governos e o povo debatem o desenvolvimento e a sustentabilidade, não de um país, mas de todo o globo terrestre, imenso organismo vivo que já mostra doenças graves pela imprudência humana.

Aqui o debate é entre a sustentabilidade do desenvolvimento com vida e o lucro de empresas e países atrelados ao capitalismo selvagem, onde o que impera é o domínio e as vantagens não se importando em preservar o meio ambiente.

Nesses momentos de intensa manifestação do egoísmo individual e coletivo debruçamo-nos sobre o Evangelho de Jesus para ouvir a sua voz dura e profética, após a mansuetude das Bem-aventuranças:

Mas, ai de vós, ricos! (pessoas, empresas, países) que tendes no mundo a vossa consolação (visam, acima da moral, da ética e da solidariedade, os seus interesses materiais: poder e dinheiro).

Aí de vós que estais saciados (sugam o próximo ou as nações menos desenvolvidas), porque tereis fome (pela lei Divina da ação e reação sofreram os efeitos dos seus atos: individuais ou coletivos).

Ai de vós que agora rides, porque sereis constrangidos a gemer e a chorar (poderão tripudiar sobre as leis nacionais e internacionais, mas não se esquivarão da Lei Divina: só o Amor permanece)". (Lucas cap VI, w.24 e 25). (1)

Também a Doutrina Espírita esclarece, na questão nº 711 de O Livro dos Espíritos.

"O uso dos bens da Terra é um direito de todos os homens? 

- Esse direito é conseqüente da necessidade de viver. Deus não imporia um dever sem dar ao homem o meio de cumpri-lo (2)

Já tivemos oportunidade de considerar:

“Embora a civilização amplie as necessidades, ela também aumenta as fontes de trabalho e os meios de viver. A Ciência e a Tecnologia vêm aumentando progressivamente a produção dos bens e à medida que se aplique a justiça social a ninguém faltará o necessário. 

Esclarece o Espiritismo que para todos há um lugar ao sol, mas com a condição de que cada um ocupe o seu lugar e não o dos outros.

Para o Espiritismo, a civilização desenvolve a moral e consequentemente o sentimento da justiça e da solidariedade que induz os homens a se prestarem apoio recíproco. 

Aqueles que vivem à custa das privações dos outros, explora, para si, os recursos da civilização, de civilizados têm apenas a aparência…” (3)

Estamos vivendo uma época de transição entre o poder, o lucro, a competição imoral e os valores da solidariedade, da fraternidade, da justiça e do amor.

Nesse contexto de desenvolvimento é indeclinável que se pense na sustentabilidade da própria vida no planeta.

Pelo novo mundo cada um de nós deve agir, onde quer que se encontre e como lhe seja possível.

Aylton Paiva


Bibliografia:

(1) O Novo Testamento 

(2) O Livro dos Espíritos, A. Kardec, Ed. FEB

(3) O Espiritismo e a Política Para a Nova Sociedade, Paiva, Aylton, Ed. Casa dos Espíritas Lins, págs. 53 e 54.


Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).


Obs.: Artigo publicado em 22/06/2012, no Jornal Correio de Lins

 

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