domingo, 24 de maio de 2026

O bom samaritano

            O Evangelho de Lucas relata em seu capítulo 15, versículos 25 a 37 um episódio muito interessante quando Jesus fala sobre o amor ao próximo.

Na linguagem dos dias atuais a ocorrência seria assim:

Jesus estava cercado por um grupo de pessoas que ouvia os seus ensinamentos.

Dentre eles levantou-se um homem que seria doutor da lei, autoridade para interpretar as Escrituras, que o interrogou, com o objetivo de tentá-lo.

- Mestre, que preciso fazer para ganhar a vida eterna?

Jesus olhou para ele, naturalmente penetrou o seu íntimo, sondou as suas intenções e tranquilamente respondeu-lhe:

O que está escrito na Lei?

O que você lê nela?

O doutor da Lei, possivelmente, empertigou-se e com o seu “saber” respondeu:

Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma, com todas as tuas forças e de todo o teu espírito, e a teu próximo como a ti mesmo.

Disse-lhe então o Mestre Jesus:

- Respondeste muito bem. Faz isso e viverás a vida eterna.

No entanto, o doutor da Lei querendo mostrar a sua sabedoria quis, mais uma vez, testar Jesus.

- Quem é o meu próximo?

Jesus contemplou-o, passou o olhar pela multidão e esclareceu:

- Um homem que ia de Jerusalém para Jericó foi assaltado por ladrões que o roubaram e agrediram, deixando-o semimorto.

Passado algum tempo um sacerdote passava pelo mesmo local, viu o homem caído ao lado da estrada, porém seguiu adiante.

Em seguida, passou pelo local um levita (também incumbido do culto) observou o homem caído e espoliado e seguiu adiante.

Um samaritano (habitante da Samaria, portanto não era judeu) vindo em sua viagem chegou ao mesmo local.

Olhou a vítima estirada no chão, encheu-se de compaixão, aproximou-se dele, colocou óleo e vinho nas suas feridas, delas cuidando.

Depois o colocou no seu cavalo e levou-o a uma hospedaria e cuidou dele.

No dia seguinte deu dois denários ao hospedeiro dizendo:

- Trate muito bem desse homem e o que gastares a mais eu te pagarei quando regressar.

Então Jesus interrogou:

Qual desses três te parece ter sido o próximo daquele homem que foi assaltado?

O doutor da Lei respondeu:

- Aquele que usou de misericórdia com ele.

Concluiu Jesus.

- Então, vai e faz o mesmo.

Sem dúvida essa história de Jesus é muito emblemática para exemplificar o amor ao próximo.

Um judeu é assaltado, o sacerdote judeu (homem de Deus) olha e não o acode.

Um levita (judeu descendente da tribo de Levi, construtor de tabernáculos) também observa, mas não socorre.

Um samaritano (habitante da Samaria, por quem os judeus tinham inimizade) é quem socorre o homem semi-morto e se constitui no exemplo de amor ao próximo.

Jesus quebrava paradigmas: o fanatismo e o fundamentalismo religioso; a rigidez e hierarquia religiosa; a hipocrisia manifesta na exterioridade religiosa.

Por outro lado, demonstra a verdadeira religiosidade como forma de manifestação do amor ao próximo, de maneira concreta e adequada, seja no contexto individual ou coletivo.


Aylton Paiva



Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).


Obs.: Artigo publicado em 15/06/2012, no Jornal Correio de Lins


segunda-feira, 18 de maio de 2026

Atividades da Casa dos Espíritas - Lins (SP)

Atividades – Sede Social - Ensino e Atividades Espirituais

Rua Paulo Aparecido Giraldi, 166.  Lins (SP)

 








*Reuniões Públicas*

Sexta-Feira

Das 20h às 21h30 – Palestra pública e passes

Domingo

Das 9h às 10h - Palestra pública e passes

Evangelização Infantil (crianças de 3 a 14 anos)

Segunda-Feira

Das 20h às 21h30 – Curso de Espiritismo

Terça-Feira

Das 20h às 21h30 – Tratamento Espiritual - Necessário fazer entrevista para Agendamento.

Quarta-Feira

Das 20h às 21h30 – Orientação e Vibração Espiritual - Necessário fazer entrevista para Agendamento.

Sábado

Das 16h30 às 18h – Curso de Espiritismo

Das 18h às 19h30 – Mocidade Espírita

 

Privativas

Terça-Feira

Das 20h às 21H30 – Educação e Sessão Mediúnica (Participação somente do Grupo de Médiuns)

Quinta-Feira

Das 20h às 21h30 – Desobsessão (Participação somente do Grupo de Médiuns)


*Atividades – Sede Administrativa Meimei*

Rua Luiz Gama, 1096 - Lins (SP)









Loja Renov - Artesanato Amor e Arte - Livraria Espírita Libertação

Segunda a Sexta-Feira: Das 9h00 às 12h00 e das 13h30 e das 16h00

Assistência Social

Cestas Básicas - Segunda a Sexta-Feira: 9h às 11h00

Projeto Maternidade

Curso para Gestante: Terça-feira - Das 14 às 16h

Artesanato Amor e Arte 

Curso de Artesanato: Terça-feira - Das 14 às 16h

terça-feira, 17 de março de 2020

Comunicado aos frequentadores

As nossas palestras públicas das sextas-feiras (20h) e dos domingos (9h) estão sendo transmitidas através do nosso canal Casa dos Espíritas, no Youtube.
Para acessar e assistir digite no seu navegador (Chrome/Firefox/outros) este endereço:
https://www.youtube.com/@CasadosEspiritas
Caso queira receber avisos do youtube do início de nossas transmissões, siga as instruções abaixo:
- Abra uma conta no youtube com o seu e-mail e senha;
- Ao colocar o nosso endereço no youtube, clique no vídeo que pretende assistir.
- Você notará abaixo do lado direito um pequeno retângulo em vermelho inscrito nele INSCREVER-SE. Clique neste botão e depois ele mudará para INSCRITO;
- Você notará que tem um sininho do lado e ao dar um clique nele aparecerá outros três sininhos escrito à frente: “Todas”, “Personalizadas” e “Nenhuma”.
- Ao clicar em “Todas”, você passará a receber uma informação do youtube (via email) de que estamos iniciando uma nova transmissão ao vivo.
Este procedimento poderá ser feito em seu computador ou no celular.
Agradecemos pela compreensão e que Deus Nosso Pai e Jesus Nosso Mestre e Irmão Maior nos abençoe a todos nós neste momento.

A Diretoria
Casa dos Espíritas - Lins (SP)


domingo, 31 de março de 2019

Conflito existencial: ser pessoa


Assisti, em um programa de televisão, um psicólogo lidando com a problemática entre a mãe e a filha de dezesseis anos.
O comportamento da mãe, revelado por sua postura e por suas palavras era da filha que foi certinha e boazinha, acatando sempre, ou quase sempre, as ordens do pai e da mãe. Também na escola fora das melhores alunas. Em sociedade procurara pautar a sua vida de forma correta, como estabelecido pelos padrões culturais e de mídia da época.
A filha mostrou-se contestadora da mãe e rebelde, relativamente a padrões impostos pela sociedade do que seja a menina “boazinha”, boa filha, estudiosa e obediente à mamãe e ao papai. Usava “piercing”, para contrariar a mãe, vestia-se de forma a ser diferente do padrão usual e dizia que queria ser livre e fazer o que quisesse, desde que não prejudicasse ninguém.
Intermediando o confronto, através dos argumentos, entre mãe e filha, o psicólogo não julgava, através de valores, quem estava certa ou mais certa: a filha ou a mãe.
No decorrer dos diálogos percebi que, em verdade, as duas estavam sofrendo muito.
A mãe no desespero de querer uma filha “certinha” como ela fora.
A filha querendo, com a sua atitude “rebelde” mostrar para a mãe como ela fora omissa, até a sua atual idade, no relacionamento com ela, querendo cumprir apenas o seu ritual papel de mãe.
As duas não estavam querendo “fazer mal” uma a outra, mas não estavam se entendo, por falta de “intimidade”.
Cada uma tinha os seus motivos conscientes e muito mais “inconscientes” da maneira como se comportavam.
Para a mãe o psicólogo procurou mostrar como ela, não intencionalmente, no seu papel formal de mãe não conseguira “enxergar” a filha como uma “pessoa”.
À filha procurou conscientizá-la de que não era apenas sendo “diferente” para agredir a mãe que ela seria reconhecida como uma “pessoa”.
Claro que a questão entre as duas não era de fácil solução, nem de solução pronta.
Cabe, para as duas a terapia psicológica individual e, mesmo a familiar, para que possam sair dos “efeitos emocionais e sentimentais” e atingirem a raiz dos conflitos íntimos vividos por elas e também os conflitos da convivência.
Sob outro ângulo o conhecimento da realidade espiritual também as ajudaria muito, pois também nessas situações encontramos o reflexo de dramas originados em encarnações passadas.
Nestas breves reflexões não vou, nem poderia adentrar a dramaticidade da situação e o caminho para solução do conflito.
Quero, apenas, refletir sobre o ponto que se constituiu fundamental no interessante diálogo e na “terapia brevíssima”: – “ser pessoa”.
Alerta-nos o psicólogo espírita Adenauer Novaes: “Qualquer pessoa tem o direito de ser feliz e de mudar o seu próprio destino sem que para isso tenha que se tornar inconsequente. Tanto a rigidez da personalidade quanto a excessiva liberdade prejudicam sua felicidade...
Tornar-se uma pessoa feliz é uma proposta que deve levar o indivíduo ao encontro de si mesmo, de sua essência mais íntima.
Uma pessoa necessariamente não é alguém que tem títulos, conhecimentos intelectuais, coisas ou goze de certo prestígio. É alguém que sabe ser gente, quando apenas isso é o necessário.
Seja feliz sendo uma pessoa. Apenas uma pessoa. Um ser que está no mundo para viver nele, como alguém que se sente intimamente ligado às pessoas, ao Universo e a Deus.” (Felicidade sem Culpa, Capítulo Psicologia da Pessoa)
Ser pessoa é estar no mundo aqui e agora, mas estar, também, no Universo, no tempo da Eternidade.
Seja pessoa, - você é uma criatura de Deus.

Aylton Paiva

Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).

domingo, 24 de março de 2019

Desperta (Sobre o tempo)


Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará. Andai prudentemente, não como néscios e, sim, como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual é a vontade do Senhor. (Epístola aos Efésios, 5:14-17)

Considerando o tempo como o grande tesouro que Deus nos oferece em favor de nossa evolução, onde estivermos poderemos adquirir valiosos patrimônios de experiência e conhecimento, virtude e sabedoria, se não deixarmos que se escoem os minutos, as horas, os dias, os anos, mergulhados no sonambulismo que caracteriza tanta gente, que dorme o sono da indiferença, sob o embalo da ilusão.
O século marca, extrinsecamente, o período de uma vida, valioso patrimônio que Deus nos oferece para experiências evolutivas na Terra.
Mas o valor intrínseco, real do século dependerá do que fizermos dos três bilhões, cento e cinquenta e três milhões e seiscentos mil segundos que o compõem.
A bondade, o amor, a ternura, a mansuetude, a humildade, a compreensão, a paciência, a fé, são valores que “compramos” à custa de dedicação, renúncia, sacrifício, esforço, mas são inalienáveis, jamais os perderemos, habilitando-nos à alegria e à paz onde estivermos, vivendo em plenitude.
Todavia, se não fizermos bom uso do tempo, um século poderá representar para nós mera semeadura de inconsequência e vício, rebeldia e desatino, com colheita obrigatória de sofrimentos e perturbações. Imperioso, portanto, que aproveitemos as horas.
Podemos começar com o que há de errado em nós.
O vício, por exemplo, não representa apenas perda, mas, sobretudo, comprometimento do tempo, com repercussões negativas para o futuro.
Quantos minutos perde o fumante, por ano, no ritual das baforadas de nicotina? Quantas horas precisa trabalhar para alimentar o vício e pagar o tratamento de moléstias que decorrem dele? Quantos dias abreviará de sua existência por comprometer a estabilidade orgânica? Quantos anos sofrerá depois, com os desajustes espirituais correspondentes?
E o maledicente, quantos minutos perde diariamente, divagando sobre aspectos menos edificantes do comportamento alheio? E quantas existências gastará depois, às voltas com males que, a custa de enxergar nos outros, sedimentará em si mesmo?
O propósito de vencer um vício, a contenção da língua, a disciplina da palavra e das emoções, os ensaios de humildade, o treinamento da paciência, a disposição de aprender, o desejo de servir e muito mais, devem fazer parte de nosso empenho de cada dia.
Afinal, Deus nos oferece a bênção do Tempo para as experiências humanas, mas fatalmente receberemos um dia a conta pelos gastos, na aferição de nossa vida, como explica Laurindo Rabelo no notável soneto “O Tempo”.

Deus pede estrita conta do meu tempo,
É forçoso do tempo já dar conta;
Mas, como dar sem tempo tanta conta,
Eu que gastei sem conta tanto tempo!

Para ter minha conta feita a tempo
Dado me foi bem tempo e não fiz nada.
Não quis sobrando tempo fazer conta,
Quero hoje fazer conta e falta tempo.

O vós que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis esse tempo em passatempo:
Cuidai enquanto é tempo em fazer conta.

Mas, ah! se os que contam com seu tempo
Fizessem desse tempo alguma conta,
Não choravam como eu o não ter tempo.

Richard Simonetti
e-mail: richardsimonetti@uol.com.br