Sem dúvida, a palavra é o importante meio de comunicação.
Como instrumento de comunicação ela poderá conduzir o bem ou o mal, a paz ou a desarmonia.
André Luiz (1) apresenta algumas reflexões muito importantes sobre esse assunto:
“A palavra é um fio de sons carregado por nossos sentimentos, em razão disso aquilo que sentimos é o remoinho vibratório que nos conduzirá a palavra ao lugar certo que nos propomos atingir.”
Como cada um de nós produz esse vórtice de forças, ele adverte:
“Quando falamos, cada qual de nós apresenta o próprio retrato espiritual passado a limpo.”
A sabedoria popular já afirmava:
"A boca fala do que o coração está cheio".
Claro que não é apenas o coração (sentimento) que se expressa na fala, mas, também, o pensamento (inteligência) emoldurados pela emoção.
Por isso ele esclarece com lucidez:
“Quando haja de reclamar isso ou aquilo, espere que as emoções se mostrem pacificadas, um grito de cólera, muitas vezes, tem a força de um punhal.”
É verdade, quantos conflitos, confusões, brigas e até homicídios ocorrem como reação a palavras ásperas, contundentes, agressivas.
Antes de falar é necessário, pois, controlar as emoções em desequilíbrio.
O elevado mentor espiritual ainda ensina:
“Você falou, começou a fazer.”
Que frase simples e tão profunda em suas consequências.
O bem ou o mal começam a ser estruturados pelas primeiras palavras pronunciadas. Muitas vezes com um poder tremendo. Lembremos as falas do Mestre Jesus, de Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela por um mundo de paz harmonia e solidariedade e as terríveis palavras proferidas por Adolf Hitler para matar milhões de pessoas, na tenebrosa catástrofe da segunda guerra mundial.
Isto posto, adverte André Luiz:
“Sempre que possa e quando possa abstenha-se de comentar o mal; a palavra cria a imagem e a imagem atrai a influência que lhe diz respeito.”
Obviamente que tal consideração não invalida o comentário sobre o mal quando se objetiva contê-lo, anulá-lo, cerceá-lo, pois isso deve ser o objetivo do verbo do bem.
Assim pondera, ainda:
“Não fale na treva para que a treva não comece a caminhar por sua conta.”
Sim, falar sobre o mal, sobre a treva só tem sentido quando faz parte de uma análise para substituir a sua existência pela força do bem, da justiça, do amor. Fora isso é aumentar-lhe o poder.
Em suas ponderações ele apresenta outras formas de manifestação do verbo, de maneira bonita e verdadeira:
"As artes são canais de expressão derivados do verbo:
A escultura é a palavra coagulada;
A pintura è a palavra colorida;
A dança é a palavra em movimento;
A música é a palavra em harmonia;
Mas a palavra, em si, é a própria vida."
Quantas formas o ser humano tem para exprimir o seu verbo para o bem ou para o mal; para a luz ou para as trevas.
Por derradeiro exorta-nos:
“Abençoadas serão as suas palavras sempre que você fale situando-se na posição dos ausentes ou no lugar dos que lhe ouvem a voz.”
Ou seja, é justo que ao usarmos a palavra na conversação e fizermos comentários sobre alguém façamo-lo como se ele estivesse presente ou situando-nos no lugar daqueles que nos ouvem.
É indispensável conversar para construir o bem.
Será fácil ou dificil?
E uma aprendizagem diária!
Aylton Paiva
BIBLIOGRAFIA:
(1) Respostas da Vida, André Luiz/F.C.Xavier, Ed. IDEAL
Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).
Obs.: Artigo publicado em 13/07/2012, no Jornal Correio de Lins
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