domingo, 28 de junho de 2026

Conversar

Sem dúvida, a palavra é o importante meio de comunicação.

Como instrumento de comunicação ela poderá conduzir o bem ou o mal, a paz ou a desarmonia.

André Luiz (1) apresenta algumas reflexões muito importantes sobre esse assunto:

“A palavra é um fio de sons carregado por nossos sentimentos, em razão disso aquilo que sentimos é o remoinho vibratório que nos conduzirá a palavra ao lugar certo que nos propomos atingir.”

Como cada um de nós produz esse vórtice de forças, ele adverte:

“Quando falamos, cada qual de nós apresenta o próprio retrato espiritual passado a limpo.”

A sabedoria popular já afirmava:

"A boca fala do que o coração está cheio".

Claro que não é apenas o coração (sentimento) que se expressa na fala, mas, também, o pensamento (inteligência) emoldurados pela emoção.

Por isso ele esclarece com lucidez:

“Quando haja de reclamar isso ou aquilo, espere que as emoções se mostrem pacificadas, um grito de cólera, muitas vezes, tem a força de um punhal.”

É verdade, quantos conflitos, confusões, brigas e até homicídios ocorrem como reação a palavras ásperas, contundentes, agressivas.

Antes de falar é necessário, pois, controlar as emoções em desequilíbrio.

O elevado mentor espiritual ainda ensina:

“Você falou, começou a fazer.”

Que frase simples e tão profunda em suas consequências.

O bem ou o mal começam a ser estruturados pelas primeiras palavras pronunciadas. Muitas vezes com um poder tremendo. Lembremos as falas do Mestre Jesus, de Mahatma Gandhi, Martin Luther King, Nelson Mandela por um mundo de paz harmonia e solidariedade e as terríveis palavras proferidas por Adolf Hitler para matar milhões de pessoas, na tenebrosa catástrofe da segunda guerra mundial.

Isto posto, adverte André Luiz:

“Sempre que possa e quando possa abstenha-se de comentar o mal; a palavra cria a imagem e a imagem atrai a influência que lhe diz respeito.”

Obviamente que tal consideração não invalida o comentário sobre o mal quando se objetiva contê-lo, anulá-lo, cerceá-lo, pois isso deve ser o objetivo do verbo do bem.

Assim pondera, ainda:

“Não fale na treva para que a treva não comece a caminhar por sua conta.”

Sim, falar sobre o mal, sobre a treva só tem sentido quando faz parte de uma análise para substituir a sua existência pela força do bem, da justiça, do amor. Fora isso é aumentar-lhe o poder.

Em suas ponderações ele apresenta outras formas de manifestação do verbo, de maneira bonita e verdadeira:

"As artes são canais de expressão derivados do verbo:

A escultura é a palavra coagulada;

A pintura è a palavra colorida;

A dança é a palavra em movimento;

A música é a palavra em harmonia;

Mas a palavra, em si, é a própria vida."

Quantas formas o ser humano tem para exprimir o seu verbo para o bem ou para o mal; para a luz ou para as trevas.

Por derradeiro exorta-nos:

“Abençoadas serão as suas palavras sempre que você fale situando-se na posição dos ausentes ou no lugar dos que lhe ouvem a voz.”

Ou seja, é justo que ao usarmos a palavra na conversação e fizermos comentários sobre alguém façamo-lo como se ele estivesse presente ou situando-nos no lugar daqueles que nos ouvem.

É indispensável conversar para construir o bem.

Será fácil ou dificil?

E uma aprendizagem diária!


Aylton Paiva 


BIBLIOGRAFIA:

(1) Respostas da Vida, André Luiz/F.C.Xavier, Ed. IDEAL


Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).


Obs.: Artigo publicado em 13/07/2012, no Jornal Correio de Lins

 

sábado, 20 de junho de 2026

Na contra mão da vida

la tranquilamente seguindo o fluxo do trânsito quando, ao meu lado, surgiu um motociclista. Logo após a ultrapassagem, ele pôs a mão no bolso de trás da calça e sacou um celular.

Pensei: não é possível que ele vá atender ou fazer uma ligação pelo telefone celular e ao mesmo tempo dirigir a moto com uma mão só!

Mais do que isso, ele continuou com o celular grudado no ouvido e serpenteando por entre os carros.

Infelizmente não havia, no momento e no local, um guarda de trânsito que pudesse impedir-lhe a conduta irrefletida e perigosa para com ele mesmo e para com o próximo, seja o pedestre ou outros motoristas.

Como pode, em uma época quando os esclarecimentos e alertas sobre os riscos no trânsito de veículos são tão intensos e amplamente divulgados, alguém ter tal conduta?

As leis de trânsito existem para preservar a vida, a ordem e os direitos de todos, sejam motorizados ou pedestres.

Também, na estrada da vida é assim, há pessoas que fazem malabarismos pondo em perigo a integridade física, moral e espiritual do outro.

São pessoas que não respeitam o direito do próximo.

Não acolhem normas e diretrizes.

Sempre estão querendo levar vantagem em tudo.

Apelam para burlar leis, com o famigerado "jeitinho brasileiro".

Essas pessoas, às vezes, surgem nas ruas de nossas vidas fazendo “malabarismos” de desordens e perigos.

Saibamos compreendê-las.

Diante delas: nem medo, nem ousadia. Respostas claras e precisas.

Compreensão, prudência e determinação.

Acolhimento sem submissão.

Ajuda, sem admitir a exploração.

Para os seus atos tresloucados, reações ditadas pelo bom senso e defesa de direitos pessoais indeclináveis. 

Querem passar por nós dirigindo irresponsavelmente a moto dos seus interesses egoísticos, "cortando" a nossa frente.

Querem passar por nós gritando egóicas exigências no celular dos interesses personalísticos.

Vale lembrar que a vida vem de Deus, a convivência é a nossa participação na vida.

Se encontrarmos uma pessoa difícil, "motoqueira e malabarista" ao nosso redor, que saibamos aproveitar o que nos traga de bom, porém procuremos ajudá-la para que se ajuste perante as "leis de trânsito de Deus".

Muitos motoristas transitam pelas vias em tranquilidade e paz.

Muitas pessoas trafegam na vias de nossas vidas num clima de compreensão e harmonia.

Outras, porém, necessitam das nossas advertências e orientações para que se comportem adequadamente a fim de não produzirem desastres emocionais sentimentais. Essas pessoas precisam, conforme a oportunidade, de um corajoso "não".

O Espiritismo ensina-nos que precisamos aprender a viver e conviver.

Ninguém consegue viver isolado, a sociedade é o clima indispensável às nossas experiências para o sentido evolutivo da vida.

Sigamos, pois, com o Condutor Jesus pela via correta do aprimoramento espiritual.

Alguns quarteirões adiante o motoqueiro foi parado e multado para reparar suas manobras irresponsáveis.

Que não sejamos parados e multados pelos "guardas da vida espiritual",

Viver na contramão da existência é atrapalhar os próprios passos na senda do bem, da harmonia e da paz.


Aylton Paiva


Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).


Obs.: Artigo publicado em 06/07/2012, no Jornal Correio de Lins

 

sábado, 13 de junho de 2026

A perfeição

Entrei na farmácia para comprar um remédio. Fui atendido.

Quando cheguei ao caixa para efetuar o pagamento da compra, a jovem que me atendeu, como é de praxe, indagou:

O senhor quer mais alguma coisa?

- Não obrigado. Hoje é só isso mesmo

Ela voltou a dizer:

- O senhor gostaria de adquirir a revista Sorria?

Disse-lhe:

Eu conheço a revista e já comprei vários exemplares, mas esse acho que já comprei.

Ela ficou com a revista na mão cuja capa mostrava uma menininha, sem um ou dois dentinhos, sorrindo, com a língua de fora e puxando as próprias orelhinhas. Flagrante de uma brincadeira infantil, muito apreciada por crianças. 

Peguei a revista, folhei-a e conclui:

- É. Essa acho que ainda não comprei não!

Paguei e ela enfiou a revista e o remédio comprados numa sacolinha de material descartável.

A jovem me agradeceu, desejando um bom dia. Eu agradeci e retribui.

Chegando em casa, abri a revista e comecei a ler o editorial.

"Quando Gabi nasceu a primeira coisa que o médico falou foi "Ela é perfeita. Respirava, o coração batia forte, tinha todos os dedos, veio grande e rechonchuda, passou em todos os exames. Era a minha filha, já amada e esperada antes de chegar, e só havia o que comemorar".

Diz a mãe que por muito tempo Gabi apresentava a chamada normalidade.

A vida é uma caixa de surpresas: ora, boas; ora, ruins. Pode produzir, a qualquer momento, o riso da alegria ou o choro da dor.

Com o passar do tempo, pela aparência a menina era normal, mas ela vivia no seu "mundinho", Disse-lhe a professora da filha: "Parece que está em outro planeta".

Começa, então, a via sacra por neurologistas, pediatras, psicólogos e psicopedagogos.

Muito interessante a reflexão da mãe:

“Levou um tempo para que eu entendesse que, na verdade, o que essa descoberta mudava não era o futuro da minha filha. Ela continuava a mesma com as mesmas qualidades, defeitos e manias... O que precisaria ser diferente, daqui para a frente eram as nossas expectativa isto é, as nossas idéias sobre perfeição.”

A gente costuma pensar que perfeição é um padrão, uma receita que serve para todos. Ora, é como querer que todos calcem o mesmo sapato". (1)

Sim! Essa admirável mäe revela que a perfeição, nesse mundo em que vivemos, ainda não é possível, mas é possível entendermos as diferenças e trabalharmos pela melhoria como é testificado em seu emocionante relato.

Não sei se essa mãe é espírita ou não, se ela é religiosa ou não, o que ela revela é a sua admirável capacidade de amar.

E ser capaz de identificar a “relativa” perfeição que cada um de nós traz em si, pois somos filhos de Deus

A Doutrina Espírita nos diz justamente isso, a nossa perfeição vai se expressando de forma gradativa e constante.

Para encontrar a “perfeição” da filha, ainda que relativa, Roberta Faria, editora chefe da revista Sorria* Para ser Feliz Agora, demonstrou o amor perfeito que é amar a filha como ela é, e não por qualidades que gostaria que tivesse.

Uma grande mãe!

Um grande exemplo!


Aylton Paiva


BIBLIOGRAFIA:

(1) Sorria Para ser Feliz Agora renda aplicada no projeto GRAACC - combatendo e vencendo o câncer infantil, editora MOL.


Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).


Obs.: Artigo publicado em 29/06/2012, no Jornal Correio de Lins