Entrei na farmácia para comprar um remédio. Fui atendido.
Quando cheguei ao caixa para efetuar o pagamento da compra, a jovem que me atendeu, como é de praxe, indagou:
O senhor quer mais alguma coisa?
- Não obrigado. Hoje é só isso mesmo
Ela voltou a dizer:
- O senhor gostaria de adquirir a revista Sorria?
Disse-lhe:
Eu conheço a revista e já comprei vários exemplares, mas esse acho que já comprei.
Ela ficou com a revista na mão cuja capa mostrava uma menininha, sem um ou dois dentinhos, sorrindo, com a língua de fora e puxando as próprias orelhinhas. Flagrante de uma brincadeira infantil, muito apreciada por crianças.
Peguei a revista, folhei-a e conclui:
- É. Essa acho que ainda não comprei não!
Paguei e ela enfiou a revista e o remédio comprados numa sacolinha de material descartável.
A jovem me agradeceu, desejando um bom dia. Eu agradeci e retribui.
Chegando em casa, abri a revista e comecei a ler o editorial.
"Quando Gabi nasceu a primeira coisa que o médico falou foi "Ela é perfeita. Respirava, o coração batia forte, tinha todos os dedos, veio grande e rechonchuda, passou em todos os exames. Era a minha filha, já amada e esperada antes de chegar, e só havia o que comemorar".
Diz a mãe que por muito tempo Gabi apresentava a chamada normalidade.
A vida é uma caixa de surpresas: ora, boas; ora, ruins. Pode produzir, a qualquer momento, o riso da alegria ou o choro da dor.
Com o passar do tempo, pela aparência a menina era normal, mas ela vivia no seu "mundinho", Disse-lhe a professora da filha: "Parece que está em outro planeta".
Começa, então, a via sacra por neurologistas, pediatras, psicólogos e psicopedagogos.
Muito interessante a reflexão da mãe:
“Levou um tempo para que eu entendesse que, na verdade, o que essa descoberta mudava não era o futuro da minha filha. Ela continuava a mesma com as mesmas qualidades, defeitos e manias... O que precisaria ser diferente, daqui para a frente eram as nossas expectativa isto é, as nossas idéias sobre perfeição.”
A gente costuma pensar que perfeição é um padrão, uma receita que serve para todos. Ora, é como querer que todos calcem o mesmo sapato". (1)
Sim! Essa admirável mäe revela que a perfeição, nesse mundo em que vivemos, ainda não é possível, mas é possível entendermos as diferenças e trabalharmos pela melhoria como é testificado em seu emocionante relato.
Não sei se essa mãe é espírita ou não, se ela é religiosa ou não, o que ela revela é a sua admirável capacidade de amar.
E ser capaz de identificar a “relativa” perfeição que cada um de nós traz em si, pois somos filhos de Deus
A Doutrina Espírita nos diz justamente isso, a nossa perfeição vai se expressando de forma gradativa e constante.
Para encontrar a “perfeição” da filha, ainda que relativa, Roberta Faria, editora chefe da revista Sorria* Para ser Feliz Agora, demonstrou o amor perfeito que é amar a filha como ela é, e não por qualidades que gostaria que tivesse.
Uma grande mãe!
Um grande exemplo!
Aylton Paiva
BIBLIOGRAFIA:
(1) Sorria Para ser Feliz Agora renda aplicada no projeto GRAACC - combatendo e vencendo o câncer infantil, editora MOL.
Aylton Paiva é estudioso da Doutrina Espírita para sua aplicação na pessoa e na sociedade (www.ayltonpaiva.blogspot.com).
Obs.: Artigo publicado em 29/06/2012, no Jornal Correio de Lins
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